10 coisas que um web designer faz

O que faz um Web Designer? Se interessa pela área, quer trabalhar em uma agência mas não sabe o que faz um profissional do web design?

Aproveitando a deixa da vaga de web designer que eu postei por aqui há alguns dias e também um dos episódios da série Vida de Estagiário, do Senac, no qual a agência digital 2nd – a própria da vaga supracitada, inclusive – participa explicando o dia-a-dia de um profissional do web design (vídeo no final do post!), decidi fazer um post sobre o assunto. Afinal, o que faz um web designer?

Fiz uma lista contendo 10 coisas que um web designer faz – ou deveria fazer. Lembrando que eu não sou o dono da razão e muito menos um expert-referência-mundial, então, se você discordar de algo ou achar que faltou alguma coisa, sinta-se à vontade para usar os comentários. A lista abaixo reflete a minha opinião, mas a sua também será bem-vinda.

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1 – Web design e Design gráfico são coisas diferentes?

tomate

Tomate é fruta, mas serve como legume? É, até serve... (foto: SXC)

Sim, web design e design gráfico são bastante diferentes um dos outros por diversos fatores. Exemplos:

Em minha experiência em agências, posso chutar que em 98,3% das vezes que um designer gráfico faz um layout para um web designer/ programador transformar em site, o layout acaba voltando (ou terá adaptações internas) porque precisa de ajustes. Um exemplo clássico é que na maioria das vezes o layout chega em resolução 300dpi e cores CMYK, padrões de impressão. Na web, são 72dpi e RGB. Isso é fácil de se resolver. O ruim é quando o layout é muito grande, muito pesado ou conta com elementos impossíveis de se produzir de forma dinâmica.

Falei grego pra você? Bom, se eu me aprofundasse no assunto seria melhor fazer um post só sobre isso. A minha intenção agora é, de uma vez por todas, afirmar que design gráfico é diferente de web design e que, por favor, se possível, a não ser que haja muito estudo e bate papo, um não deve tentar fazer o trabalho do outro. Quase sempre será sinônimo de trabalho a mais.

Ah, eu não tenho “richa” com designers gráficos. Eu mesmo atuo nas duas áreas, de certa forma, o que me dá mais segurança quando afirmo que são coisas distintas.

2 – Atendimento, pesquisa, briefing…

labirinto

Qual é o caminho certo? (foto: SXC)

Você é tímido, não tem jeito com as palavras? Se quiser se destacar na área, é melhor deixar a vergonha de lado! Contato direto com o cliente é fundamental para um bom trabalho, afinal, para um serviço ser satisfatório (não só para o cliente, mas para você e principalmente para os usuários do site), você precisa pegar o que o cliente falou e traduzir aquilo em trabalho.

Na 2nd, por exemplo, além de participar de reuniões com clientes e dar suporte por telefone/e-mail, também contribuo no desenvolvimento da proposta. A melhor forma de prestar o melhor serviço é, literalmente, se colocar no lugar do cliente e das pessoas que vão usar o projeto do cliente. E como fazer isso? Conversando, brifando, pesquisando…

E o que diabos é briefing? Basicamente um coletadão de informações relevantes que o cliente oferece para o projeto. O que ele precisa? Pra quê? Pra quem? Por quê?

Para facilitar a criação de sites e blogs, eu criei um formulário de briefing para quem está interessado em meus serviços de web design. Dá uma olhada lá pra ter uma ideia do que é necessário coletar de informação com o cliente para fazer um briefing completo. Mais dúvidas surgirão no meio do caminho, normal.

Importante: Essa parte de briefing normalmente é para free-lancers, gerentes de projetos ou diretores da agência. Geralmente o que vai chegar na mesa do web designer é o projeto finalizado, então o trabalho será mais de pesquisa e bater um papo com o cliente no decorrer da criação.

3 – Criação (wireframe, layout, logos, banners…)

lápis

Lápis - Um fiel companheiro. (foto: SXC)

A parte que todo mundo quer fazer, mas quando entra na área percebe que não é bem assim. É claro, rola criação, mas web design não é só isso.

Em algumas agências grandes há setores de web design. Um fazia só o design, o outro fazia só animações, o outro só codificava e por aí vai. Bom, eu acompanho vários sites que divulgam vagas de web design e o que eu percebo é que a cada dia que passa o web designer precisa ter um vasto conhecimento e prática.

O que eu mais vejo sendo solicitado para web designers hoje em dia: design, web standards (xhtml, css, semântica etc), flash, action script, CMS (wordpress, joomla), SEO, javascript/jquery, mobile, crossbrowser, noções de php e cada vez mais html5 e css3.

Sim, noções de PHP, até porque cada vez mais o web designer vem se aproximando do programador, o que, de certa forma, melhora a dinâmica do grupo. Não vou mentir: Eu mesmo sei muito pouco de javascript/jquery e flash, além de não saber NADA de action script. E aí? Bom, nesse caso, é questão de foco: Eu sou um web designer cujo trabalho é focado em web standards, wordpress, conteúdo e SEO. Ou seja, meu foco é pós-criação, mas eu também crio.

É bom saber bastante coisa? De certa forma, sim. O ideal é ter um foco em algo específico e noção em coisas que estão em volta. É o meu caso. Como eu disse acima, numa agência grande, geralmente cada web designer é mais focado em alguma coisa. O importante neste caso, acima de tudo, é ter um diferencial.

4 – Codificação

xhtml

Apesar de o HTML5 estar logo ali, o XHTML segue firme e forte! (foto: SXC)

Essa é a parte que mais me “entretém” no web design. Estou sempre estudando, fazendo testes e a cada dia eu descubro uma coisa nova, o que é essencial.

Um web designer precisa ter fortes noções de web standards (normas para web). A meu ver, o essencial é dominar xhtml, css e semântica. O resto aqui é diferencial.

Ah sim, tableless não é “a mesma coisa que” web standards. O segundo é um conjunto de normas, e tableless, de certa forma, faz parte delas, apesar de ter um nome contraditório: tables não “morreram”, elas são usadas sim. Mas apenas para, literalmente, tabelas, e não para o site inteiro como era feito antigamente. Há uma tag específica para cada coisa, isso é semântica – ou seja, não adianta ficar usando várias divs também.

Por fim, ter noções de HTML5, CSS3 e JavaScript/JQuery é ter um passo a frente. Por pouco tempo, já que logo logo isso será obrigação também.

5 – Animação

splash de água

O Flash não morreu! (foto: SXC)

Sim, Flash e coisas do tipo. É fato que este vem sendo um item descartado da lista de coisas primordiais que um web designer deve, ao menos, ter noção. Culpa da Apple? Isso é outra história!

Bom, de fato o Flash não é uma boa opção para sites, mas serve para banners, hotsites e por aí vai. Flash não vai morrer, ele simplesmente vai conhecer qual é o seu lugar.

6 – Programação

botão esc

Opa! Programação? Não tá errado isso, não?! (foto: SXC)

Noções de PHP são sempre bem-vindas, já que um web designer vai precisar fazer algumas manutenções em páginas dinâmicas vez ou outra e saber o que está acontecendo no código é uma boa forma de ser produtivo. Mas não precisa correr atrás de um curso de PHP: Trabalho em equipe está aí pra isso. Eu aprendi muita coisa fuçando e conversando com os programadores. Se você é novo na área e tem essa oportunidade, aproveite. Se acha válido – e é – se aprofundar um pouco mais na linguagem (que não obrigatoriamente precisa ser PHP), procure um bom curso!

WordPress requer noções básicas de PHP, por exemplo, e dominar bem este CMS é um diferencial bacana e cada vez mais requisitado. O melhor de tudo é que é divertido.

7 – Manutenção

parede com tijolos

Sim, vez ou outra você vai ter de voltar lá pra dar um tapa. (foto: SXC)

Como já citei algumas vezes acima, um web designer também faz manutenção de sites. Desde trocar um link no menu, atualizar um conteúdo e até mesmo mudar algo em uma ferramenta dinâmica (daí as noções de PHP ou de outra linguagem, como JavaScript). Muitas vezes você precisa parar o que está fazendo AGORA porque um cliente desesperado precisa colocar um banner no topo do site pra ontem.

Se você é novo na área, provavelmente vai cair muita coisa do tipo no seu colo. Sempre é meio chato, mas nem tudo é maravilhoso sempre, mesmo.

8 – Refação

sombra da mão

O horror! (foto: SXC)

Dizem por aí que o cliente sempre tem razão. Eu discordo e você vai discordar, mas, acredite, não há muita escolha. Por mais que você argumente, por mais que você seja o cara que estudou, pesquisou e respira internet, o cliente (e muitas vezes outros colegas de trabalho, a mulher, o primo de terceiro grau e o motoboy que tem preguiça de fazer a barba) vai bater o pé e pedir por uma alteração que faria uma hiena parar de sorrir.

Sim, só satirizando pra desestressar. Refações sempre vão existir e quase sempre serão absurdas. Uma coisa que eu aprendi na Escola Panamericana de Artes é que nós somos barrigas de aluguel: Somos nós quem criamos o trabalho, mas é o cliente que vai “fazer o que quiser” com ele. Alguns casais obrigam a barriga de aluguel a fazer uma dieta, ouvir algum tipo de música etc. Nós também precisamos nos desdobrar muitas vezes, e lá na frente o resultado final pode acabar sendo o que a gente não queria. (Re)Fazer o quê?!

Sim, argumentar é fundamental. Você deve mostrar para o cliente (ou para o seu chefe – sim, eles também pedem refações!) o por que de aquela ser a melhor solução para eles. Mas respire fundo: Dizem por aí que o cliente sempre tem razão…

9 – Quanto ganha um web designer?

euros

Milhares e milhares de euros!!!11 (foto: SXC)

Parece que depende da região. De resto, varia de experiência e de empresa. Pelo que vejo por aí a média é de R$ 800,00 a R$ 3,000, mas já vi gente que ganha R$ 10000,00.

Dica importante: preocupe-se primeiro com sua experiência antes de preocupar-se com o salário. Não adianta pensar “nossa, mas eu trabalho muito, eu devia ganhar um aumento” – e se você trabalha muito porque, na verdade, não está dando conta? Precisamos ser realistas, também. Não dá pra pedir um aumento expressivo em uma agência pequena. O ideal é parar e pensar bastante sobre o assunto, levando também em consideração que, se você ganha pouco, não deixa de ser um investimento: As empresas não crescem sem o esforço de quem está dentro delas. Se há perspectiva de crescimento, corra atrás. Se não há, corra!

10 – Qual faculdade ou curso fazer?

escola

Bóra estudar? (foto: SXC)

Aqui eu deixo com vocês. Eu sou auto-didata na área, o único curso que fiz foi um curso de SEO e hoje em dia faço faculdade de Publicidade e Propaganda, que não tem nada a ver com web design.

Se você já cursou ou está cursando alguma coisa e recomenda, diz aí nos comentários, vamos deixar o artigo mais completo pra galera nova. Eu poderia ter feito uma pesquisa das melhores faculdades e cursos do Brasil, mas acho que recomendação pessoal é muito mais válida. O que eu comentei no post até então foi experiência própria. Agora é a vez de vocês!

E então, o que um web designer faz?

De tudo um pouco? Depende. O importante é que vocês tenham em mente uma coisa: Ter conceito é LEI. Web design não é fazer layouts bonitinhos, não é caçar ícones legais, não é passar o dia inteiro num banco de imagens gratuito. Tudo requer estudo, cada caso é um caso e cada público é único. Não há um padrão de preços, tudo deve ser orçado através do briefing.

Eu vejo muitos sites por aí que oferecem “sites completos (com 4 páginas) por R$300,00″, por exemplo, e sinceramente é isso que acaba diluindo o potencial da nossa área. Não quero discutir preços, e sim conceitos. O que um site de advocacia precisa não é o mesmo que o site de um restaurante chinês precisa – por que cobrar o mesmo pelos dois? Pensem nisso. E aproveitem para assistir ao vídeo da série Vida de Estagiário que eu comentei lá em cima:

Por fim: Não se esqueçam do portfolio!