Site de graça custa caro. Para os dois lados.

Em busca de um site de graça? Entenda por que isso pode ser prejudicial para o seu negócio e para o prestador de serviços. Conheça a parceria ideal!

Nos textos anteriores, Site grátis? e Quero um site, mas…, eu comentei sobre os problemas que um trabalho não-remunerado trazem para o profissional, além de argumentar contra (e a favor) de algumas propostas de “parcerias” a fim de um site de graça, que nem sempre são boas para ambas as partes.

A grande verdade, amigo web designer, desenvolvedor ou de áreas semelhantes, é que o conhecimento sobre o nosso trabalho é muito vago. Quem não tem experiência com nosso trabalho acha que o que fazemos é simples e pode ser feito em algumas horas (ou minutos), mas de forma alguma deve-se culpar ou xingar quem pense assim. Eu penso da seguinte forma: Ninguém é obrigado a saber tudo sobre a nossa profissão e nosso trabalho, a não ser nós mesmos. Sendo assim, nosso papel é expor para o cliente o que vamos fazer detalhadamente e deixá-lo a par de todo o processo.

Confira: O trabalho de um Web Designer

É o que eu costumo dizer: ninguém entende mais sobre uma empresa do que o dono dela, assim como ninguém entende mais sobre criar sites quanto web designers e desenvolvedores. Quando há esse tipo de respeito entre os dois papéis, a parceria pode dar muito certo. Falando em parceria… afinal, qual é a parceria ideal?

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A parceria ideal

parceria

Deal! (foto: Corbis)

A parceria ideal é aquela em que as duas partes saem sorrindo, subindo um degráu – ou mais – em relação ao que estava antes do início da parceria. Na parceria ideal, todos crescem.

O que eu sempre defendo é que um profissional web não é um sujeito que faz o que o cliente pede, com cores combinando, design bonitinho e animações em flash. Um profissional de verdade escuta o que o cliente quer, analisa o que ele precisa e oferece o que vai funcionar. Por diversas vezes eu já falei coisas como “é melhor se a gente fizer dessa forma”, com todo respeito ao cliente – por sinal, a meu ver o respeito só aumenta quando se vê que o cara que você contratou para fazer o serviço se importa o bastante em bater de frente com a sua opinião dizendo que há uma solução melhor. Isso gera uma confiança enorme.

O que eu costumo fazer é, literalmente, entrar de cabeça nos projetos. Você pode conversar com o Janio Sarmento ou com o PeaShrek, por exemplo, ou quem sabe até mesmo com o pessoal do Dinheirama, perguntando se o que eles tem hoje – algum serviço prestado por mim – é o que eles imaginavam como ideal para seus negócios. Certamente eles dirão que não esperavam ter boa parte de suas necessidades atendidas da forma que foram, e que até mesmo nem enxergavam alguns pontos que eu enxerguei e que deviam ser levados em consideração. E isso é recíproco: eu também aprendi muito com eles, assim como aprendo muito com outros clientes… ou melhor, parceiros.

Eles são ótimos no que fazem, e eu tento melhorar a cada dia no que eu faço. É aí que entra outra coisa que eu defendo bastante (sem ter medo de ser repetitivo): Um empresário sabe tudo sobre sua empresa, seu negócio; um profissional web sabe tudo sobre web (porque a cada novo trabalho é feita uma nova pesquisa, preenchendo as lacunas que surgiram com o mesmo). As duas experiências devem se unir, e é por isso que eu costumo dizer que eu tenho parceiros, não clientes: Eu faço parte do projeto porque o melhor resultado para você é o melhor resultado para mim. Quebrando um pouco do clichê, isso se deve ao fato de que eu trabalho com resultados. Quando alguém me contrata para um serviço, em todo momento eu tento quebrar o paradigma do “prestador de serviços“, tratando cada projeto como se fosse meu também.

Sendo assim, a parceria ideal é quando você paga alguém para fazer um serviço que te trará mais lucros. São interesses em comum, certo? Ambos precisam sobreviver, e com essa parceria ambos continuarão na luta pela sobrevivência.

Site de graça? Mas até quando ter um serviço grátis é bom?

mau negócio

Um mau negócio dá uma dor de cabeça, né? (foto: Corbis)

Vamos supor que você encontrou um Web Designer que apostasse na sua proposta de parceria, aceitando o fazer seu site de graça em troca da esperança de conseguir mais clientes. E o prazo é de três semanas, conforme exemplifiquei no texto Site grátis?.

Precisando ou não estar focado no seu projeto em tempo integral, o profissional terá de terminar seu projeto da forma mais urgente o possível, pois ele depende dos trabalhos remunerados para sobreviver. Certamente você estará orgulhoso ao saber que o profissional esteve empenhado em seu projeto (mesmo sendo um site de graça), passando várias noites em claro finalizando o mesmo – isso não passa de pura necessidade, na verdade. E também está longe de ser positivo: Quanto mais o profissional trabalha sem ter descanso, mais desgastado ele fica. Sendo assim, mais seu potencial vai se aproximando ao número 0, o que o leva a tomar decisões desesperadas como “dar um jeito aqui”, “reutilizar aquilo ali” e “ninguém vai perceber isso aqui”. Alguns até começam a copiar outros sites.

Isso também está longe de ser por mal (tirando a parte das cópias, algo que eu sou totalmente contra), pois de forma alguma o profissional estará tentando tirar vantagem: novamente, ele está buscando pela sobrevivência. Você, que o contratou para fazer seu site de graça, economizou recursos para ter seu site, certo? O profissional também está economizando recursos.

Já alguns profissionais podem demorar semanas para fazer de graça o que eles fariam em horas sendo remunerados. Mais uma vez, é questão de sobrevivência priorizar os projetos remunerados.

Por fim, certamente também há o mau humor, pois alguns “ajustes” acabam passando dos limites e, com a falta da remuneração, o profissional fica desmotivado, e é aí que o prejuízo se instaura. E para ambos os lados: Enquanto você, contratante, irá receber algo abaixo das expectativas, o relacionamento de ambos ficará abalado e o contratado terá muito mais trabalho do que imaginou que teria, ficando desiludido ao perceber que as discussões levaram em uma quebra da parceria: O contratado, vendo que foi mal atendido, vai ignorar sua parte na parceria e não vai recomendar os serviços desse profissional a ninguém.

Sim, uma parceria também pode ser – bem – ruim para ambos os lados.

Vamos ser parceiros?

site de graça

E aí, vale a pena ter um site de graça? (foto: Corbis)

Encerro aqui uma série de três posts sobre parcerias não-remuneradas na criação de sites. Espero não ter sido grosseiro, arrogante ou algo do tipo com tudo o que foi dito acima e nos dois outros artigos, Site grátis? e Quero um site, mas… Minha intenção, conforme comentei, foi expor alguns pontos que um empresário acaba não enxergando quando pede por um site de graça. E uma das formas de se mostrar isso é invertendo os papéis.

Se você me pediu por um site de graça e caiu aqui porque eu indiquei o link, saiba que eu não estou irritado, não me senti ofendido: esse tipo de perdido é bem comum, principalmente para quem não tem conhecimentos nessa área. Como disse acima, ainda tem muita gente que acha que fazer sites é muito simples e barato, e isso se deve ao fato de estarmos lidando com uma profissão nova, que ainda está em fase de crescimento e não para de se modificar.

Confira: Quanto custa um site simples? É barato?

Por fim, ainda acredito que todos os argumentos acima são válidos para qualquer tipo de profissão, desde o pipoqueiro da esquina até o médico que terá a sua vida nas mãos dele. Parece um exagero, mas ambos estão fazendo o seu trabalho. E olha que eu nem precisei citar os ANOS que esses profissionais levam estudando, se aperfeiçoando e, principalmente, pagando por seus cursos e aprendizados.

E você, trabalharia de graça? Por quê?